Ao longo de várias décadas, soluções aerodinâmicas esquisitas fizeram máquinas como Ferrari, McLaren, Benetton e Williams carregarem alcunhas igualmente curiosas
As muitas alterações no regulamento técnico da Fórmula 1 para 2014 provocaram uma série de mudanças nos carros, como a adoção dos motores V6 turbo no lugar dos V8 aspirados e a ampliação dos sistemas de recuperação de energia. Mas poucas coisas incomodaram tanto os fãs como os bicos dos bólidos, que precisaram ser rebaixados devido à nova altura máxima implantada pela FIA visando maior segurança dos pilotos em acidentes. As variadas soluções aerodinâmicas encontradas pelos projetistas até viraram motivo de piada na web, já que os internautas fizeramcomparações com bichos - como macacos narigudos, golfinhos, morsas -, e objetos - como vassouras, aspiradores de pó e abridores.
No entanto, não é de hoje que as esquisitices aerodinâmicas rendem apelidos aos carros. Na Fórmula 1 do passado, foram muitos os bólidos que receberam alcunhas devido ao visual incomum. Na década de 1970, quando os carros eram bastante diferentes entre si e a aerodinâmica dava os primeiros passos, as equipes March, Ligier e Ensign adotaram aparatos com diferentes funções, mas que marcaram época. Com invenções no bico e nas entradas de ar, estes carros foram apelidados, respectivamente, de "tábua de passar", "bule" e "escadinha".
Se os projetistas aliviaram nas esquisitices nos anos 1980, auge dos motores turbo na F-1 (quando os propulsores chegaram a ter 12 cilindros), o mesmo não se pode dizer da década seguinte. Nos anos 1990 surgiram os bicos altos, primeiro com a Tyrrel, que ganhou o apelido de "bigode". Mas o mais clássico de todos foi o Benetton "tubarão", de 1992.
No fim da década, quando os túneis de vento se tornaram um elemento obrigatório em qualquer fábrica, os apêndices aerodinâmicos surgiram por todos os lados. Foi em 1997 que a Tyrrel apareceu com duas asas ao lado do motor, fazendo seu carro ser chamado de "candelabro". A solução foi imitada por outros times, como Jordan e Ferrari, mas logo proibida pela FIA. O argumento foi a segurança (as partes poderiam se soltar). Mas o motivo, na realidade, era outro: a F-1 estava ficando feia demais.
Após o ano 2000, as restrições no regulamento aerodinâmico fizeram com que os carros ficassem cada vez mais parecidos uns com os outros. A Williams tentou quebrar esta onda em 2004, quando lançou o "barbeador". Mas voltou atrás e disputou a segunda metade da temporada com um bico mais tradicional.
No ano seguinte, o visual em prata e negro da McLaren, com alguns elementos pontudos em sua carenagem, fez o colombiano Juan Pablo Montoya apelidar o próprio carro de "Darth Vader", em referência ao clássico personagem da saga "Guerra nas Estrelas". Já a temporada 2008, último ano com mais liberdade no regulamento aerodinâmico, foi marcada por algumas esquisitices, como o "coelhinho" da Honda, que parecia ter orelhas sobre o bico.
Em 2009, quando a Federação Internacional de Automobilismo aplicou restrições no regulamento, proibindo que os carros tivessem peças aerodinâmica em algumas partes, outras esquisitices surgiram. Primeiro com a Renault, que apareceu com um enorme bico de linhas tão retas que a máquina foi apelidada de "escavadeira".
Mais tarde, a Ferrari também abusou dos ângulos retos e o espaço entre a ponta do bico e a base do aerofólio gerou comparações com o modelo em miniatura da equipe italiana feito de blocos de montar na época da dupla Schumacher-Barrichello. Portanto, o apelido não poderia ser outro, e o carro de 2012 da escuderia foi logo chamado e "Lego".
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